© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Um incidente em Itumbiara, Goiás, destacou um tipo de violência pouco discutido: a violência vicária. Esta forma de agressão ocorre quando uma mulher é atingida psicologicamente por meio de danos a pessoas próximas, como familiares.

Na última quarta-feira, um trágico evento em Itumbiara chamou a atenção. O secretário de Governo local, Thales Machado, disparou contra seus dois filhos em sua casa. Após o ataque, ele cometeu suicídio. O filho de 12 anos faleceu no local, enquanto o de 8 anos, gravemente ferido, não resistiu.

Entendendo a Violência Vicária

A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, descreve a violência vicária como uma situação onde o agressor inflige dor a pessoas próximas da vítima, como filhos, para puni-la. No caso de Itumbiara, o pai visou atingir a mãe dos meninos.

Estela Bezerra destacou que, frequentemente, o agressor cria uma narrativa que culpa a mulher pelos seus atos. No caso de Itumbiara, Thales Machado publicou um texto nas redes sociais mencionando uma suposta traição da esposa antes de tirar a própria vida.

Narrativas e Implicações

A construção de narrativas que culpabilizam a vítima é comum em casos de violência vicária. A secretária Bezerra enfatiza que tal manipulação social agrava a situação da mulher, que já sofre a perda e ainda é responsabilizada pelas ações do agressor.

Casos como o de Itumbiara são frequentes, mas subnotificados. Bezerra menciona um incidente envolvendo um servidor público que agrediu o filho e a ex-companheira, exemplificando a presença cotidiana desse tipo de violência.

Contexto Social e Cultural

A violência vicária é parte de um contexto mais amplo de desigualdade de gênero. Estela Bezerra aponta que essa assimetria se manifesta em várias esferas, incluindo a política e a economia, perpetuando um ciclo de subjugação e medo para as mulheres.

O Instituto Maria da Penha, uma ONG dedicada ao combate à violência contra mulheres, confirma que a violência vicária é uma realidade corrente. Este tipo de violência utiliza crianças e adolescentes como meio de atingir emocionalmente as mulheres.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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