Um grupo de indígenas ocupou, no sábado, o escritório do terminal operado pela Cargill no Porto de Santarém, Pará. A ação integra uma série de protestos contra o Decreto nº 12.600, de agosto de 2025, que propõe incluir hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização.
Enquanto isso, em São Paulo, ambientalistas e entidades sociais protestaram em frente ao escritório central da empresa, bloqueando parte da Avenida Chucri Zaidan. A Cargill descreveu as manifestações como 'violentas' e destacou que os manifestantes já bloqueiam o terminal há 30 dias, mesmo após uma determinação judicial de desocupação.
A empresa informou que seus funcionários buscaram abrigo seguro durante a ocupação e está verificando possíveis danos a equipamentos. A Cargill continua em contato com as autoridades para garantir uma desocupação segura e ordeira.
Motivações do Protesto
O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) expressou indignação pela não revogação total do decreto, alegando que ele ameaça recursos naturais e direitos dos povos indígenas. O Cita defende que a ocupação foi pacífica e organizada, permitindo a operação do terminal.
Os indígenas demandam explicações sobre a privatização dos rios e estudos sobre os impactos potenciais. A mobilização continuará até que haja compromisso concreto com a revogação do decreto e a garantia de consultas prévias às comunidades afetadas.
Suspensão da Dragagem e Compromissos do Governo
Recentemente, o governo suspendeu a contratação de uma empresa para a dragagem do Rio Tapajós, medida considerada um gesto de negociação, apesar de não estar diretamente ligada à concessão da hidrovia.
O governo comprometeu-se a formar um grupo de trabalho interministerial com a participação de órgãos federais e representantes indígenas para orientar as consultas prévias necessárias. Um cronograma para essas consultas será apresentado em acordo com as entidades representativas.