Relatos de cidadãos venezuelanos e veículos internacionais apontam que, após a detenção do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, o governo da Venezuela intensificou ações de segurança nas ruas, em meio ao estado de emergência declarado pelo regime interino liderado por Delcy Rodríguez.
Moradores ouvidos por um jornal estrangeiro afirmam que um maior número de agentes policiais e grupos de milicianos armados, conhecidos como “colectivos”, estão patrulhando bairros em várias cidades do país. Segundo as fontes, muitas vezes identificadas de forma anônima para evitar retaliações, pelo menos 20 pessoas foram detidas desde o fim de semana, incluindo 14 jornalistas, enquanto outros seis civis também teriam sido presos pelas forças de segurança.
De acordo com os relatos, postos de controle foram montados em trechos de estradas e vias urbanas, onde veículos e pedestres estão sendo parados e revistados. Segundo defensores dos direitos humanos, agentes têm conferido telefones celulares e interrogado pessoas à procura de supostas evidências de apoio à operação militar que culminou na captura de Maduro.
A intensificação da presença de forças de segurança ocorre após uma operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Maduro e de sua esposa em Caracas no último sábado (3). A ação, conduzida por tropas americanas, levou o ex-presidente e a companheira dele para Nova York, onde ele deve enfrentar acusações federais — incluindo tráfico de drogas — negadas pelo próprio Maduro.
Com Maduro fora do país, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi reconhecida internamente como presidente interina e emitiu um decreto nacional de busca e detenção de indivíduos que supostamente apoiaram o ataque armado que resultou na prisão do ex-mandatário.
Apesar de uma parte significativa da população venezuelana ser contrária ao governo chavista, poucas manifestações públicas favoráveis à captura de Maduro foram registradas em Caracas e outras cidades. O maior protesto recente foi de apoio ao governo, organizado por um dos principais líderes chavistas, Diosdado Cabello, na capital.
Especialistas e ativistas internacionais seguem monitorando a situação enquanto crescem as preocupações com possíveis violações de direitos civis no país em meio à instabilidade política e à presença reforçada de forças de segurança nas ruas.
Fontes: G1