O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou seu mandato de dois anos no último sábado, após pressão dos Estados Unidos para que o poder fosse mantido sob a administração do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé.
Em uma cerimônia realizada em Porto Príncipe, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, declarou que o Conselho conclui suas atividades no Executivo sem deixar um vácuo de poder no país.
Continuidade Governamental
Saint-Cyr afirmou que o Conselho dos Ministros, liderado pelo primeiro-ministro Fils-Aimé, garantirá a continuidade, destacando a importância de segurança, diálogo político, eleições e estabilidade. Ele ressaltou que suas decisões foram tomadas visando o melhor para o país.
Desde 2016 sem realizar eleições, o Haiti viu o CPT assumir em abril de 2024, após a renúncia do então primeiro-ministro Ariel Henry, que havia sucedido o presidente Jovenel Moïse após seu assassinato em 2021.
Pressões Externas
O CPT cogitou destituir Fils-Aimé, nomeado pelo próprio Conselho, para liderar o Executivo até as eleições previstas para este ano. A iniciativa levou o governo dos EUA a enviar navios de guerra para a Baía de Porto Príncipe, reafirmando seu compromisso com a segurança e estabilidade haitianas.
A embaixada dos EUA no Haiti declarou que qualquer tentativa de modificar a composição governamental seria percebida como uma ameaça à estabilidade regional, prometendo medidas adequadas em resposta.
Análise de Especialistas
Ricardo Seitenfus, especialista em Haiti, relatou uma tentativa de afastar Fils-Aimé devido à sua capacidade de articulação. Seitenfus, que esteve recentemente no Haiti para lançar um livro, observou que a segurança no país tem melhorado, com o governo retomando áreas anteriormente controladas por gangues.
Seitenfus enfatiza a necessidade de eleições para estabilizar o país, alertando que, embora não resolvam todos os problemas, são essenciais para qualquer solução.
Esforços de Segurança
Desde o assassinato do presidente Moïse, o governo haitiano tem buscado parcerias para melhorar a segurança, incluindo um acordo para uma missão internacional de policiais liderada pelo Quênia para apoiar a polícia local.
No ano passado, a ONU aprovou a criação de uma Força Multinacional de Repressão a Gangues, expandindo a missão anterior do Quênia. O governo também tem recorrido a mercenários estrangeiros para combater gangues armadas.