A expressão 'blackface de cabelo' é utilizada pelo grupo Samba Abstrato para criticar o uso de perucas ou penteados afro por pessoas brancas durante o carnaval. Essa prática é vista como inadequada e racista, semelhante às fantasias de 'nega maluca' e 'indígena', que são consideradas ofensivas por ridicularizarem identidades raciais.
Com um tom cômico e satírico, o Samba Abstrato denuncia o racismo presente no carnaval. Um dos aspectos apontados é a escolha de mulheres brancas como passistas, mesmo sem habilidades específicas, frequentemente acompanhadas de imitações de cabelos cacheados ou crespos.
O conceito de 'blackface' refere-se a uma prática racista em que pessoas brancas utilizam artifícios para imitar características físicas de pessoas negras de forma caricata. Historicamente, o termo surgiu nos Estados Unidos, onde atores brancos pintavam-se de negro para interpretar de forma estereotipada no teatro.
Apesar de avanços, o cabelo afro ainda enfrenta preconceitos. A Samba Abstrato destaca que, ao longo do ano, mulheres negras enfrentam discriminação, mas durante o carnaval, pessoas que não participam da luta antirracista usam elementos da estética negra como fantasia.
Impacto do embranquecimento no carnaval
A Samba Abstrato critica a predominância de mulheres brancas em papéis de destaque no carnaval, o que é visto como uma forma de 'aniquilamento social e cultural' da população negra, conforme aponta o professor Juarez Tadeu de Paula Xavier.
Xavier explica que, além de questões estéticas, o carnaval tem raízes profundas na cultura negra. No entanto, a festa é atualmente moldada para o consumo televisivo, o que pode ofuscar suas origens.
O professor destaca que reverter esse processo de exclusão requer estratégias amplas de combate ao racismo. A campanha 'Sem Racismo, o Carnaval Brilha Mais', do Ministério da Igualdade Racial, é um exemplo de iniciativa nesse sentido.