O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou que os Estados Unidos não demonstram interesse genuíno em estabelecer um acordo nuclear com o Irã, apesar da possibilidade de que tal acordo pudesse ser alcançado por meio de negociações.
Segundo Nekounam, uma reunião de especialistas em questões nucleares estava prevista para ocorrer em Viena, sob a coordenação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). No entanto, ele acusou os Estados Unidos e Israel de interromperem as negociações.
Coletiva de imprensa em Brasília
Durante uma coletiva de imprensa na embaixada iraniana em Brasília, o embaixador comentou que Israel e EUA utilizam as negociações nucleares como pretexto para tentar promover uma mudança de regime no Irã. Ele criticou a postura dos EUA, afirmando que o atual presidente americano se comporta como se fosse o líder mundial.
Nekounam ressaltou que, após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei, o Irã conseguiu manter a continuidade de sua estrutura de poder por meio de um Conselho interino, garantindo a defesa do país de forma ininterrupta.
Análise de especialistas
Analistas consultados sugerem que a troca de regime em Teerã visa limitar a expansão econômica da China e consolidar a hegemonia política e militar de Israel na região. Entretanto, EUA e Israel alegam que suas ações são preventivas, devido ao desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã, que nega tais acusações e afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Referências ao caso Epstein
O embaixador iraniano questionou a legitimidade dos EUA em liderar assuntos globais, aludindo ao caso de Jeffrey Epstein, que envolveu figuras de destaque da política norte-americana. Nekounam criticou os envolvidos no caso, afirmando que não possuem moral para administrar a soberania mundial.
Administração do Irã
Nekounam destacou que, mesmo com a morte de Khamenei, o Irã mantém sua soberania e gestão interna intactas. Um Conselho de Liderança Interino foi estabelecido para liderar até a eleição de um novo Líder Supremo pela Assembleia dos Especialistas.
Posição do Brasil no conflito
O embaixador agradeceu ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil pela condenação do uso da força por parte de Israel e EUA, considerando a ação como um reconhecimento dos valores de soberania e integridade territorial. Ele defendeu o direito do Irã de retaliar bases militares em resposta a ataques, afirmando que tais ações não visam territórios dos países envolvidos.