Recentemente, a Human Rights Watch destacou preocupações sobre o uso excessivo da força letal por forças policiais no Brasil, associando-o a um aumento da violência e da insegurança. A organização mencionou a Operação Contenção, ocorrida em outubro no Rio de Janeiro, como um exemplo de ação policial com alta letalidade, resultando em 122 mortes, incluindo cinco agentes.
Dados e Repercussões
Entre janeiro e novembro de 2025, as forças policiais foram responsáveis por 5.920 mortes no Brasil. Além disso, informações do Ministério da Justiça indicam que 185 policiais foram mortos e 131 cometeram suicídio no ano passado. Esses números evidenciam a complexidade do cenário de segurança pública no país.
Análise de Especialista
Carolina Grillo, professora da Universidade Federal Fluminense, critica a persistência em modelos de segurança que não têm produzido resultados efetivos. A especialista observa que estados como Bahia e São Paulo têm replicado estratégias do Rio de Janeiro, o que, segundo ela, agrava problemas de segurança e impunidade.
Autonomia Policial e Controle Governamental
Carolina Grillo afirma que governadores não possuem controle total sobre as forças policiais, que operam com relativa autonomia. Ela destaca que essa situação pode estimular práticas violentas devido à percepção de impunidade entre os agentes.
Debate Público e Operações Policiais
A especialista critica a repetição de operações policiais de grande escala, que, apesar de conhecidas por sua ineficácia, geram retornos políticos ao criar uma sensação de ação entre a população. Grillo ressalta que ações de inteligência, embora mais eficazes, não recebem a mesma atenção.
Cobertura da Mídia
Grillo também aponta para a cobertura da imprensa, que, em sua visão, tende a refletir narrativas oficiais, como no caso da Operação Contenção. Ela observa que a imprensa internacional reagiu com mais indignação ao episódio do que a mídia local, que já naturalizou tais eventos.