Hannah Charlier, aos 83 anos, compartilha sua história como sobrevivente do Holocausto. Nascida em 1944 na Bélgica, é filha de judeus envolvidos na resistência ao nazismo. Sua mãe foi capturada enquanto grávida e deu à luz Hannah na prisão. Após o nascimento, os pais de Hannah foram levados para execução, mas ela sobreviveu graças à proteção de sua mãe.
Um oficial alemão observou a tentativa de proteção por parte da mãe de Hannah durante o fuzilamento e, por curiosidade, descobriu que ela escondia um bebê. Ele resgatou Hannah e a entregou a um grupo de resistência judaica, que a encaminhou a uma organização de proteção infantil, salvando muitas crianças durante a guerra.
Hannah foi criada em um orfanato e, aos 9 anos, adotada por um casal que se mudou para o Brasil. Sua trajetória exemplifica os horrores do Holocausto, definido como o assassinato sistemático de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista, conforme o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos.
Memória e conhecimento
O Holocausto, iniciado em janeiro de 1933 com a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha, terminou em maio de 1945 com a derrota nazista. Sergio Napchan, da Confederação Israelita do Brasil, destaca a importância de lembrar essa tragédia, que exterminou um terço dos judeus europeus.
O Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto é celebrado em 27 de janeiro. Em consonância com a data, uma pesquisa divulgada pelo Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto de São Paulo indica que, embora 59,3% dos brasileiros tenham ouvido falar do Holocausto, apenas 53,2% conseguem defini-lo corretamente.
Desafios educacionais
Hana Nusbaum, da Stand WithUs Brasil, ressalta que muitos brasileiros desconhecem os detalhes do Holocausto, o que é preocupante em um contexto de crescente discurso de ódio nas redes sociais. Apenas 38% dos entrevistados reconheceram Auschwitz-Birkenau como um campo de concentração e extermínio.
A pesquisa também revela que a escola é a principal fonte de informação sobre o Holocausto, seguida por filmes, livros e a internet. Museus e instituições especializadas são mencionados por uma parcela mínima dos entrevistados.