© Jean Barreto/ Divulgação
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Fernanda Pereira da Silva, doutoranda e professora no Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolveu um estudo sobre o potencial das histórias em quadrinhos (HQ) para promover discussões sobre questões étnico-raciais na formação de futuros educadores. Este trabalho busca fortalecer a educação antirracista no Curso Normal.

As graphic novels, uma forma de HQ que combina narrativas completas com textos e imagens mais extensas, servem como ferramenta para estimular reflexões sobre diversidade étnico-racial entre os alunos.

HQs como Ferramenta Educacional

Fernanda acredita que as HQs têm um papel importante na atração de jovens para discussões raciais. Durante seu mestrado, ela percebeu a relevância de abordar o racismo, um tema que até então não havia explorado com profundidade.

No ano de 2018, após o lançamento de HQs com personagens negros pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), Fernanda decidiu aprofundar sua pesquisa no doutorado sobre como essas obras podem contribuir para o debate racial na formação de professores do ensino fundamental.

Resultados da Pesquisa de Campo

Em um estudo de campo no Colégio Estadual Júlia Kubitschek, Fernanda constatou que o racismo é discutido majoritariamente em novembro, durante o Mês da Consciência Negra. Os alunos relataram experiências de discriminação ao longo do ano, ressaltando a falta de um planejamento contínuo sobre o tema nas escolas.

Uma pesquisa do Geledés Instituto da Mulher Negra e do Instituto Alana indicou que a Lei 10.639/2003, que exige o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, não é cumprida em 71% dos municípios brasileiros. A dificuldade em abordar o tema é frequentemente mencionada como um dos obstáculos.

Abordagens Alternativas

Fernanda sugere diversas estratégias para tratar questões raciais nas escolas, como a realização de palestras e o uso de elementos culturais, incluindo as HQs. Ela propõe, por exemplo, apresentar a história da escritora Carolina Maria de Jesus através das graphic novels para fomentar a educação antirracista.

Imersão Prática

A professora Walcéa Barreto Alves, da Faculdade de Educação da UFF, destacou que o trabalho de Fernanda integrou teoria e prática, promovendo uma intervenção direta nas escolas. Esta abordagem permitiu a observação das experiências diárias dos estudantes e a análise da presença do debate racial no ambiente escolar.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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